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Advogado com atuação exclusiva na área de direito médico e da saúde. Especialista em Responsabilidade Civil na Área da Saúde pela FGV-SP. Pós-graduado em Direito Médico e da Saúde. Coordenador do curso de Pós-graduação em Direito Médico da Escola Paulista de Direito (EPD). Presidente da Comissão de Direito Odontológico e da Saúde da OAB-Santana/SP. Docente convidado dos cursos de Especialização em Odontologia Legal da FORP-USP (Ribeirão Preto/SP), da ABO-GO (Goiânia), da ABO-RS (Porto Alegre) e da FO-USP (São Paulo/SP). Docente convidado da FUNDECTO no curso de Perícias e Assessorias Técnicas em Odontologia. Docente convidado do curso de Bioética e Biodireito do HCor. Docente convidado de cursos de Gestão da Qualidade em Serviços de Saúde (Einstein, Inspirar e UNISA). Especialista em Seguro de Responsabilidade Civil Profissional para Médico, Cirurgião-dentista, Hospital e Laboratório. Autor da obra: "COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA - Resolução CFM nº 1.931/2009". Mestrando em Odontologia Legal e Deontologia pela UNICAMP (FOP).

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hospital das Clínicas de São Paulo realiza 1º transplante de útero da América Latina

Cirurgia realizada pela equipe de ginecologia do HC da USP é a 3ª bem-sucedida no mundo; procedimento ainda é experimental e não está aberto à população em geral

A equipe de ginecologia da Divisão de Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com o grupo de transplante hepático da instituição, realizou o primeiro transplante de útero de doadora falecida bem-sucedido da América Latina, e o terceiro no mundo. A paciente que recebeu o órgão não tinha útero, o que a impedia de engravidar.

Edmund Chada Baracat, diretor da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas, em destacou que esse é um projeto experimental e que, ao menos por enquanto, não está aberto à população em geral, embora tenha sido aprovado em todas as instâncias éticas do HC da Faculdade de Medicina e do Conep (Conselho Nacional de Ética e Pesquisa) e conte com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Outros dois transplantes similares foram realizados em Cleveland, nos Estados Unidos, e na Turquia. No procedimento de Cleveland, o útero teve de ser retirado logo após a cirurgia, enquanto no segundo caso, na Turquia, a paciente sofreu um aborto espontâneo. A Suécia também realizou transplantes de útero, mas de doadora viva – em um desses casos, a mãe doou o órgão para a filha.

De acordo com o Baracat, o plano inicial prevê a realização do transplante em três pacientes, todas elas, preferencialmente, com ausência de útero. Outra condição é a de que a ausência do órgão seja congênita e não motivada por algum fator externo. O procedimento é longo – a cirurgia para implante do órgão levou um tempo estimado de dez horas, sem contar o tempo necessário para a retirada do órgão da doadora que faleceu.

Como toda cirurgia, esta também oferece riscos. Além da possibilidade de rejeição, é preciso acompanhar como será a receptividade do útero na paciente, analisando as condições do órgão antes que possa receber o embrião. Baracat estima a perspectiva de gravidez em um ano após a realização do procedimento. “É uma condição sine qua non para o procedimento que a paciente tenha condições de gestar.” Além da demora, o procedimento também é dispendioso.

“O Brasil é um país já consagrado na realização de transplantes, e o transplante uterino coloca o País em condição de realce, tendo em vista que os dois casos já realizados de transplante de doadora falecida não foram bem-sucedidos”, disse Baracat.

Fonte: Painelacademico