Caso aconteceu na segunda-feira (11), em Castro, no Paraná.
Hospital informou que vai abrir sindicância e que médico foi afastado.
Um bebê recém-nascido morreu após ter sido encaminhado vivo para um necrotério que fica dentro do hospital Anna Fiorillo Menarin, em Castro, na região de Ponta Grossa, no Paraná, na segunda-feira (11). O pai da criança, Gilmar de Farias, disse ao G1 que a criança nasceu viva e que houve um equívoco por parte de um dos médicos ao encaminhar o bebê para o necrotério. A criança nasceu prematura com seis meses de gestação e pesava pouco mais de 650 g.
"Quando rompeu a bolsa, de madrugada, eu corri com a minha esposa para o hospital. Quando a criança nasceu, ele [o médico] falou para a minha mulher que nosso filho tinha nascido morto. Aí eu vi que a enfermeira limpou o neném, colocou em uma caixinha de papelão e levou para o centro obstétrico. Tudo isso eu vi de longe porque estava em uma sala de espera", conta o pai, que relatou ainda que após o parto o médico passou por ele sem dar satisfação do ocorrido.
"De repente apareceu uma outra enfermeira e me disse que a criança tinha nascido morta. Aí me bateu o desespero. Ele disse ainda que, se a gente quisesse, poderia ver o bebê no necrotério. Aí eu conversei com a minha esposa e fui até o local. Eu não vi nada de estranho e realmente acreditei que ele [o bebê] estivesse morto. Foi muito triste. Depois, minha sogra também quis olhar e me disse que ele estava respirando".
Gilmar contou que, depois disso, eles acionaram os enfermeiros, que constaram que a criança realmente estava viva. "Eles pegaram a criança e levaram para a encubadora com urgência. Lá, ele fiocu respirando com a ajuda de aparelhos por mais ou menos umas três horas, mas não aguentou e morreu", explicou o pai.
Para Gilmar, o médico que apontou que a criança tinha nascido morta foi negligente. "Eu estou revoltado com tudo isso. O pior de tudo é que ele não me deu nenhuma satisfação de nada até agora", acrescenta. Ele afirmou que deve procurar a polícia nesta terça-feira (12) para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O). A mãe da criança recebeu alta e passa bem.
O diretor administrativo do hospital, João Carlos Licheski, informou que o médico foi “preventivamente afastado” e que será feita uma sindicância. “Família acusa que foi erro médico, mas nós não podemos afirmar isso, se o médico seguiu o protocolo. Vamos investigar. Estamos juntando documentação e prontuário desse caso para analisar”.
Fonte: Globo.com
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- MARCOS COLTRI
- Advogado. Especialista em Direito Médico e Odontológico. Especialista em Direito da Medicina (Coimbra). Mestre em Odontologia Legal. Coordenador da Pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar - Escola Paulista de Direito (EPD). Coordenador ajunto do Mestrado em Direito Médico e Odontológico da São Leopoldo Mandic. Preceptor nos programas de Residência Jurídica em Direito Médico e Odontológico (Responsabilidade civil, Processo ético médico/odontológico e Perícia Cível) - ABRADIMED (Academia Brasileira de Direito Médico). Membro do Comitê de Bioética do HCor. Docente convidado da Especialização em Direito da Medicina do Centro de Direito Biomédico - Universidade de Coimbra. Ex-Presidente das Comissões de Direito Médico e de Direito Odontológico da OAB-Santana/SP. Docente convidado em cursos de Especialização em Odontologia Legal. Docente convidado no curso de Perícias e Assessorias Técnicas em Odontologia (FUNDECTO). Docente convidado de cursos de Gestão da Qualidade em Serviços de Saúde. Especialista em Seguro de Responsabilidade Civil Profissional. Diretor da ABRADIMED. Autor da obra: COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA.