Médicos disseram que Kauã Feitosa estava com fome, em Rondônia. Atestado de óbito aponta que bebê estava com pneumonia
Uma comissão de médicos foi formada para investigar o caso da morte de bebê com 27 dias de nascido, Kauã Castro Feitosa, após ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base Ary Pinheiro, em Porto Velho. Dois médicos que atenderam a criança no Hospital Infantil Cosme e Damião serão investigados após terem liberado o bebê sob o argumento de que estava com fome. No dia seguinte, Kauã foi internado no Hospital de Base e faleceu com 90% dos pulmões comprometidos devido a uma pneumonia. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Após tomar conhecimento sobre a morte, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) criou uma comissão para investigar a conduta dos dois médicos que atenderam Kauã nos dias 15 e 17 de abril no Hospital Infantil Cosme e Damião. O bebê foi levado à unidade médica pelos pais após choro incontrolável. Na unidade os médicos que atenderam a criança alegaram que Kauã estava apenas com fome.
O diretor da unidade Nilson Paniágua, afirma que foi disponibilizado o prontuário médico à família para auxiliar nas investigações do caso. “Nós estamos aguardando o Ministério Público e a polícia para colocar a disposição os funcionários que deram assistência a essa criança para que seja apurado de fato o que houve”, explica.
Williames Pimentel, secretário da Sesau, informou que a comissão vai investigar os médicos que foram denunciados por negligência e que o resultado da investigação preliminar deverá ser divulgado até o fim deste mês.
O pai de Kauã, Rubens Feitosa, conta que recorreu ao Hospital Cosme e Damião após perceber o choro descontrolado do bebê e que ele não conseguia ingerir nenhum alimento. No primeiro atendimento, foram feitos exames de raio-x e de sangue, porém não foi detectado nenhuma anormalidade e o médico liberou a criança alegando que estava sentindo fome. No dia 17, Rubens retornou à unidade devido a persistência do choro da criança. Kauã foi liberado mais uma vez pelo mesmo argumento da primeira consulta.
No dia seguinte, o pai lembra que a criança foi transferida para UTI do Hospital de Base e morreu após duas paradas cardíacas. O atestado de óbito revelou que Kauã estava com pneumonia e tinha cerca de 90% dos pulmões afetados.
“Se ele tivesse entrado numa UTI mais cedo, ele até poderia ter uma chance de vida. Mas ficamos aguardando por cerca de seis horas e quando chegou à UTI não tinha mais condições. O médico afirmou que o antibiótico que ele iria tomar deveria ser tomado há três dias”, alega Rubens.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, as investigações estão em andamento e que, até o momento, somente os pais da criança foram ouvidos. Os dois médicos que prestaram assistência ao bebê devem prestar depoimento em breve.
Fonte: G1
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- MARCOS COLTRI
- Advogado. Especialista em Direito Médico e Odontológico. Especialista em Direito da Medicina (Coimbra). Mestre em Odontologia Legal. Coordenador da Pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar - Escola Paulista de Direito (EPD). Coordenador ajunto do Mestrado em Direito Médico e Odontológico da São Leopoldo Mandic. Preceptor nos programas de Residência Jurídica em Direito Médico e Odontológico (Responsabilidade civil, Processo ético médico/odontológico e Perícia Cível) - ABRADIMED (Academia Brasileira de Direito Médico). Membro do Comitê de Bioética do HCor. Docente convidado da Especialização em Direito da Medicina do Centro de Direito Biomédico - Universidade de Coimbra. Ex-Presidente das Comissões de Direito Médico e de Direito Odontológico da OAB-Santana/SP. Docente convidado em cursos de Especialização em Odontologia Legal. Docente convidado no curso de Perícias e Assessorias Técnicas em Odontologia (FUNDECTO). Docente convidado de cursos de Gestão da Qualidade em Serviços de Saúde. Especialista em Seguro de Responsabilidade Civil Profissional. Diretor da ABRADIMED. Autor da obra: COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA.